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blood red shows – Blog – Cultura Inglesa

Tag: blood red shows

Blood Red Shoes: a primeira twitcam a gente nunca esquece

8 anos atrás ----- Blog

O primeiro “encontro” do Blood Red Shoes com o público brasileiro mereceu até um brinde.

Foi num clima despojado que Laura-Mary Carter e Steven Ansell conversaram com os fãs, ao vivo na Twitcam, sobre a vinda ao Brasil para o 15º Cultura Inglesa Festival.

Muito bem acomodados diante da webcam com suas taças de vinho tinto, eles contaram que estão ansiosos para aterrissarem por aqui.

“Sempre ouvimos que o público brasileiro é muito vibrante e estamos numa grande expectativa para esta nossa ‘primeira vez’”, disse Laura. Será a estreia deles em palcos da América do Sul – e os dois costumam dizer que adoram festivais.

Eles chegam aqui para apresentar o Fire Like This, de 2010, segundo disco da carreira. Para quem for ao show, a dica que Steven deu na twitcam é prestar atenção ao que Laura faz na guitarra.

O Blood Red Shoes renega influências que sirvam apenas para deixar as suas músicas mais agradáveis, melódicas e “comerciais”, como dizem. Querem vender discos, sim, mas afirmam que querem fazer a música que mais lhes agrada, com a guitarra rangindo sempre.

Os dois também concordaram que a música britânica está em um bom momento – eles, ao menos, não têm do que reclamar, estão rodando a Europa com seu show vibrante.

E, diante da pergunta “é fácil ou difícil fazer música ‘apenas’ em dupla?”, disseram que a afinidade que encontram um no outro torna a tarefa mais fácil. Por ora, Laura e Steven descartarem planos de ampliar a banda.

No final da entrevista com os fãs, a dupla revelou com um sorriso que adorou a primeira Twitcam que fizeram na carreira.
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Saiba mais: o show do Blood Red Shoes é domingo, dia 29 de maio, de graça, no “Música no Parque” do 15º Cultura Inglesa Festival

 

Nosso rock inglês vai muito além do Britpop

8 anos atrás ----- Blog

[youtube width=”650″ height=”300″]http://www.youtube.com/watch?v=sob1cUVd-vE[/youtube]

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Por
Alexandre Matias*

O rock inglês sempre foi visto como uma espécie de primo sisudo e erudito do rock americano.

Explico: se os Beatles não tivessem ouvido o rock americano dos anos 50 e resolvessem formar um grupo que seguia a tradição da música pop britânica da época, talvez nunca tivessem se tornado a maior banda do século 20.

Mas, do mesmo jeito, o rock não seria um fenômeno global e se esconderia nas notas de rodapé da história da cultura popular ocidental, uma fusão entre rhythm’n blues e country music que durou só o tempo de Elvis Presley virar ídolo nacional e entrar para o exército.

Mas foram os Beatles que mostraram para o resto do mundo que a promessa do rock – “qualquer um pode tocar guitarra” – não tinha morrido com Buddy Holly.

Foram eles que mostraram inclusive para os Estados Unidos que o rock – e não apenas o rock’n’roll dos anos 50 – podia ir além da cruza entre country e blues e dominar o mundo.

No vácuo dos Beatles, uma geração inteira de bandas inglesas cruzou o Atlântico e dominou o mundo.

E abriu espaço para novos desdobramentos do gênero – o que começou lentamente a mudar a cara do rock inglês, pois foi a partir desses novos braços do rock (a psicodelia, o rock progressivo, o glam rock) que a música do Reino Unido foi ganhando ares mais sofisticados e menos crus.

Justo a Inglaterra que deu ao mundo um clássico da demolição sonora – o Who.
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Os EUA começaram a exigir de volta a paternidade do rock – Bob Dylan batizou o disco em que assumiu a guitarra elétrica de Bringing it All Back Home (trazendo tudo de volta pra casa) e logo grupos como Stooges, MC5, Modern Lovers e o Velvet Underground sedimentavam o caminho para o nascimento do punk – e mesmo com esse gênero tendo seus maiores nomes nascidos na Inglaterra (Sex Pistols e Clash), a crueza e a qualidade direta do rock voltou para os EUA.

A ponto de todo o novo rock surgido no século 21 ser primordialmente americano, com bandas como Strokes, White Stripes, Interpol e Rapture sendo saudadas como principais nomes do novo rock, mesmo que elas se inspirassem abertamente em bandas inglesas, principalmente do punk e do pós-punk.

O 15º Cultura Inglesa Festival tenta reestabelecer a espontaneidade do rock inglês para muito além do britpop, em palco armado no Parque da Independência.

Além de três bandas que ganharam o concurso interno de bandas da escola, escolhi artistas que capturem a força e a energia de um recorte deste rock inglês que pouco nos vêm à memória, pela onipresença do rock americano.
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Duas bandas nacionais começam a contar essa história tocando clássicos dos anos 60: os gaúchos do Cachorro Grande visitam o grupo The Who e os Mockers (3/5 do Cidadão Instigado) voltam aos Beatles depois da psicodelia.

Depois duas novas atrações inglesas, ainda mais jovens do que a geração dos Strokes, sobem ao palco. A dupla Blood Red Shoes é o avesso dos White Stripes – um cara na bateria e uma menina na guitarra, e na minha opinião deixam Jack White no chinelo.

Miles Kane fez dupla com o “arctic monkey” Last Shadow Puppets e agora lança seu primeiro disco solo, depois de chamar atenção em 2010 com o hit “Inhaler”, uma das melhores músicas do ano passado.

E concluindo a apresentação, os papas do pós-punk Gang of Four vêm ao Brasil pela segunda vez mostrar a fonte de onde Strokes, Interpol e outras bandas já decanas de Nova York beberam em seus primeiros dias.

Misturando punk, funk e política, eles também trazem músicas do novo álbum, “Content”, o primeiro em quinze anos.

É uma Inglaterra bem fora dos padrões ingleses que estamos acostumados a ouvir por aí. Ainda bem.
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✰ Veja a programação completa do Música no Parque

*Alexandre Matias é um dos curadores do 15º Cultura Inglesa Festival

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49 anos atrás
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